Procedimentos de Reprodução Assistida

Procedimentos de Reprodução Assistida

A Reprodução Humana utiliza diversas técnicas para ajudar casais a realizarem o sonho de se tornarem pais. A relação sexual ou coito programado e a inseminação intrauterina são dois exemplos de técnicas de baixa complexidade. Já as técnicas de reprodução assistida (TRA) são chamadas de alta complexidade, pois são realizadas em laboratório, com o preparo do sêmen e dos óvulos, portanto in vitro. A obtenção dos espermatozoides pode ser realizada por ejaculação espontânea ou por meio de procedimentos cirúrgicos (extração testicular ou epididimária) com anestesia. O preparo e a manipulação dos gametas têm variações de acordo com a forma de fecundação realizada no laboratório.

***As informações sobre os procedimentos foram retirados do site da HUMANA Medicina Reprodutiva

Técnicas de baixa complexidade

O coito programado pode ser recomendado para casais em que a mulher possua trompas normais e o parceiro apresenta sêmen normal. É, geralmente, indicado nos casos em que se pretende otimizar a relação sexual com a monitoração da ovulação ou nas anovulias crônicas utilizando-se drogas indutoras. O tratamento baseia-se em uma indução da ovulação com acompanhamento por meio de exames de ultrassonografias seriadas, orientando-se os casais a terem relações sexuais no período fértil, determinado pelo exame ultrassonográfico. A monitoração também fornece dados confirmatórios da ruptura folicular e das características do corpo lúteo, na segunda fase do ciclo.

Consiste no preparo e na capacitação do sêmen em laboratório para, posteriormente, ser colocado através de cateter no interior da cavidade uterina, no momento da ovulação. É uma técnica simples e não requer nenhum tipo de anestesia. É indicada nos casos de fator masculino leve, na infertilidade sem causa aparente (ISCA), na falha de coito programado ou para utilização de sêmen congelado ou de doador. A integridade das trompas é um dos requisitos para realização desta técnica. Pode ser necessária mais de uma inseminação por ciclo.

Técnicas de alta complexidade

É indicada para falhas de inseminações, endometriose grave, fator tubário, fator masculino leve, doação de óvulos, infertilidade sem causa aparente de longa data, além de outras causas. No laboratório, após a obtenção, seleção e preparo dos óvulos e espermatozoides, ambos são colocados numa placa para que haja fertilização espontânea. A seguir, os óvulos fertilizados são acompanhados em seu desenvolvimento. De dois a cinco dias após procedimento, são transferidos para cavidade uterina com cateter específico. O número de embriões transferidos varia conforme normas estabelecidas pelo Conselho Federal de Medicina, de acordo com cada caso.

É indicada para a falha de FIV-ET clássica, fator masculino grave fator imunológico seminal, além de outras causas. Consiste na injeção de um único espermatozoide diretamente no interior do óvulo por meio de técnica de micromanipulação dos gametas. Os óvulos são fertilizados e, após acompanhamento e seleção de embriões, são transferidos como na FIV-ET clássica. Cada vez mais utilizada como primeira opção de técnica de alta complexidade devido ao grande potencial de fecundação de óvulos, independente da condição seminal ou da qualidade dos óvulos.

Atualmente, já é possível oferecer a criopreservação para embriões que tenham boa qualidade e não foram transferidos no ciclo em que foram gerados. Por exemplo, em caso de número excessivo de embriões ou devido a condições inadequadas, por parte da mulher, para transferência naquele momento, como se observa nos casos de endométrio não receptivo ou quando há risco de síndrome de hiperestimulação ovariana. Nestas situações, os embriões congelados podem permanecer armazenados para uso futuro, permitindo que cada um possa, depois de descongelado, ser transferido em outro ciclo, após preparo adequado da cavidade uterina. Não há necessidade de estimulação ovariana novamente, os embriões podem ser descongelados e transferidos, dependendo do número e de sua sobrevida. Com o avanço das técnicas de congelamento, as chances de gravidez com embriões congelados são semelhantes às dos embriões frescos.

Fertilização in vitro e uso de útero de substituição é utilizado para casais nos quais a mulher perdeu o útero por diferentes causas, mas possui ovário(s) com boa reserva ovariana. Umas das principais causas de perda do útero em mulheres jovens é a histerectomia (retirada do útero) puerperal, devido a graves sangramentos (placenta prévia, descolamento prematuro de placenta, etc.). Outra causa importante é a necessidade de histerectomia por câncer de colo uterino ou de endométrio. Pacientes nesta situação, comumente, estimulam a ovulação, coletam os óvulos, fertilizam-nos com o sêmen do parceiro e transferem embriões frescos ou congelados para membros da família. Esta opção de fazer o tratamento de reprodução assistida deve-se à necessidade de terapia complementar, tais como quimioterapia ou radioterapia, com grande chance de lesar os ovários irreversivelmente ou pela necessidade de retirar os ovários junto com o útero no tratamento do câncer. No Brasil, a sugestão é de que se utilize útero de pessoas da família. Quando há a necessidade de utilizar pessoas que não atendam a estes critérios, sugerimos que o casal solicite autorização do Conselho Regional de Medicina.

Doação de óvulos e fertilização in vitro (FIV) ou injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI) é uma técnica que deve ser utilizada nas seguintes situações:

a- Ausência de óvulos (menopausa precoce, exérese de ovários por tumor, agenesia ovariana, endometriose severa com destruição do parênquima ovariano, etc.);
b- Reserva ovariana baixa e repetidos insucessos de FIV/ICSI devido à pequena quantidade e/ou má qualidade dos óvulos;
c- Doenças genéticas que impossibilitem o uso dos próprios óvulos.

Embora existam muitos argumentos éticos envolvidos, ainda é uma técnica muito utilizada¹. Há várias formas de doação/recepção de óvulos, como podemos exemplificar:

a. Doação voluntária de óvulos
Neste caso, as doadoras voluntariamente procuram os centros de reprodução para efetuar a doação. O inconveniente desta forma de tratamento é o fato de que a paciente deveria ser submetida a uma indução de ovulação na maioria das vezes e a realizar uma coleta de óvulos sob anestesia, pois a maturação in vitro (MIV) dos óvulos ainda não é um método de rotina na maioria dos centros. Os riscos da indução podem ser minimizados com os cuidados para evitar a síndrome de hiperestimulação ovariana, como já é possível na atualidade.

b. Doação de excesso de óvulos
A doadora é uma paciente que está realizando um procedimento de FIV e dispõe-se a doar parte dos seus óvulos voluntariamente. O inconveniente deste método é o ajuste da receptora à doadora e a falta de previsão do número de óvulos doados. Quando a técnica de congelamento de embriões e óvulos alcançar a mesma chance de gravidez de um óvulo ou embrião fresco, esta forma de tratamento deverá ser mais utilizada, pois a possibilidade do banco de óvulos será real.

c. Doação compartilhada de óvulos
Na doação compartilhada (“egg sharing”), a doadora realiza a indução de ovulação com o conhecimento prévio de que realizará partilha dos óvulos, normalmente em partes iguais. Tais doadoras são pacientes que realizarão tratamento de FIV/ICSI e que, durante a investigação, apresentam uma grande reserva de óvulos, determinada, principalmente, por contagem de folículos antrais basal. Este tipo de doação é uma técnica muito utilizada na Europa² e também no nosso país, onde não é possível a compra de óvulos de doadoras.

d. Doação de óvulos com pagamento das doadoras
O Brasil não adota esta metodologia, que é muito utilizada nos Estados Unidos onde existem empresas que se encarregam da captação de doadoras. As doadoras recebem compensação financeira direta para tais doações. Este método tem a vantagem de selecionar melhor as doadoras, com um maior potencial de fertilidade.

Referências
¹ Klein JU, Sauer MV. Ethics in egg donation: past,present, and future. Semin Reprod Med 2010;28(4):322-8. | Faddy M, Gosden R, Ahuja K, Elder K. Egg sharing for assisted conception: a window on oocite quality. Reprod Biomed Online 2011;22(1):88-93.
² Blyth E. Patient experiences of an“egg sharing “programme. Hum Fertil 2004;7(3):157-62.| Ahuja KK, Simons EG. Advanced oocyte cryopreservation will not undermine the practice of ethical egg sharing. Reprod Biomed Online 2006;12(3):282-3.| Bodri D, Colodron M, Vidal R, Galindo A, Durban M, Coll O. Prognostic factors in oocyte donation: An analysis through egg-sharing recipient pairs showing a discordant outcome.Fertil Steril 2007;88(6):1548-53.| Oyesanya OA, Olufowobi O, Ross W, Sharif K, Afnan M. Prognosis of oocyte donation cycles: a prospective comparison of the in vitro fertilization-embryo transfer cycles of recipients who used shared oocytes versus those who used altruistic donors. Fertil Steril 2009;92(3):930-6.

Os procedimentos de reprodução assistida podem gerar produção de embriões excedentes, o que leva à necessidade de congelamento para a sua preservação. Tais embriões são comumente utilizados pelos casais para possível transferência futura, no caso de insucesso na transferência de embriões frescos ou para tentativa de novos filhos após o sucesso da transferência de embriões frescos. Entretanto, alguns casais, durante a transferência de embriões frescos apresentam uma gravidez múltipla, gemelar ou trigemelar e, após o parto, consideram que o melhor caminho dos embriões congelados excedentes deve ser a doação para casais que necessitem de embriões e não simplesmente de gametas. Quando o casal toma esta decisão, procura o centro de reprodução e faz o termo de doação de embriões. Tais embriões passam a constituir um banco de embriões que aguardam adoção. Raramente os embriões são doados para pesquisas.

Outras Técnicas

O congelamento de sêmen é realizado de forma rotineira nos bancos de sêmen e em centros de reprodução, com o objetivo de preservar a fertilidade em pacientes que serão submetidos a tratamentos oncológicos (cirurgia, quimioterapia, radioterapia), e a pós-punção testicular ou epididimal para evitar novas punções. Esta técnica vem sendo utilizada há vários anos. Outras técnicas têm sido utilizadas, tais como congelamento programado por computador, congelamento ultrarrápido, vitrificação em superfície sólida*, entre outros. As técnicas evoluíram e o uso de crioprotetores contendo glicerol a 10-12% e congelamento rápido em vapor de nitrogênio firmou-se e hoje é utilizado na maioria dos centros de reprodução.

Referência
* Satiropod C. et al. Comparison of cryopreserved human sperm from solid surface vitrification and standard vapor freezing method: on motility, morphology, vitality and DNA integrity. Andrologia 2012; 44:786-790.

Na atualidade, a recepção de sêmen de doadores voluntários é utilizada para casais, nos quais o homem não tem nenhuma produção de espermatozoides, após confirmação por biopsia testicular. A técnica também pode ser utilizada em casos como: doenças genéticas e anomalias na forma dos espermatozoides, que dificultem a fertilização, mesmo com técnicas de reprodução assistida.

Os centros de reprodução podem congelar sêmen para doação, mas a preferência, na maioria das vezes, é na compra de sêmen dos Bancos de Sêmen. Em Goiânia, a Humana Medicina Reprodutiva utiliza, preferencialmente, sêmen oriundo de Banco de Sêmen da cidade de São Paulo.

Informações de Contato

  • 55 (62) 3946-9070
    (62) 99600-4555
  • (62) 98175-5297
  • contato@rodopianoflorencio.com.br
  • Goiânia - GO